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Excesso de terapias pode não trazer benefícios à criança e ao jovem
Verdade
Em artigo publicado recentemente no caderno Equilíbrio do jornal Folha de S. Paulo (edição especial sobre psicanálise), Rosely Sayão alerta para o excesso de tratamentos psicoterapêuticos e similares que têm sido prescritos às nossas crianças e jovens, cada vez mais precocemente. Ocorre que modos de ser e agir que já foram considerados naturais de determinados momentos do desenvolvimento vêm sendo vistos como indicativos de patologias futuras. Os tratamentos teriam como função de cuidado preveni-las. Dito assim, não parece um problema; ao contrário, pode parecer um bom caminho de resolução. Sim, desde que, de fato, esses modos de ser e de agir emitissem esses sinais. Emitem outros: são muitas vezes tentativas da criança em comunicar que algo não vai bem em casa, o que envolve pai, mãe, irmãos. Então, por que um membro apenas dessa família deve se submeter a tratamentos vários? Estabelecer esse tipo de identidade, a do doente da casa, o garoto(a)- problema, aquele que tem dificuldades na escola, ou pensamento confuso e tantas outras, cada vez mais refinadas segundo o logos positivista (TDAH, dislexia, etc.), em nada contribui para a constituição dessas crianças como pessoas criativas e capazes de compartilhar questões e contribuir com novas inquietações e construções.
Vale a dica: não se trata de negar a pertinência de muitos trabalhos terapêuticos que ajudam de fato a emoldurar dificuldades impeditivas de realização de projetos. Mas é importante que os pais estejam atentos para o excesso de indicações, muito comum no espaço escolar, em especial. E também que afinem seus sentidos para compreender de que modo podem contribuir para situações de tensão e conflito vividas por seus filhos.
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