6 de Fevereiro de 2012


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O uso da chupeta é sempre prejudicial à criança*

Mito

Será que existe outro objeto do universo do bebê tão amado e, ao mesmo tempo, tão criticado quanto a chupeta?!
Pois é, a maioria dos bebês e de crianças muito pequenas ama a chupeta, enquanto a maioria dos adultos só faz críticas ao seu uso! Pior, geralmente criticam a mãe ou por oferecê-la ao seu filho ou por demorar em cortar-lhe o uso depois que ele cresce. Enfim, estamos diante de um assunto polêmico. Então, vamos devagar...
Em outros países, tanto da Europa quanto das Américas, a chupeta é chamada de “pacificador” – e nisto nós concordamos: ela acalma mesmo o bebê. Isto é bom? Penso que sim. Até porque a mãe também se acalma ao sentir que seu filho já pode começar a se “organizar” (emocionalmente falando) a partir de um pequeno objeto que proporciona uma prazerosa função: o ato de sugar como uma forma de autorização de se satisfazer na ausência da mãe.
É bom lembrar que uma boa mãe, além dos cuidados e carinhos que oferece ao seu bebê, também permite que ele se satisfaça e relaxe sem ser somente através do contato com seu corpo. Então, por que será que criticam tanto este pequeno objeto de satisfação para a dupla mãe/bebê?
Bom, a palavra de ordem seria “bom senso” da parte da mãe e “capacidade de tolerância” para com ela e sua criança por parte daqueles profissionais que são muito contrários ao uso da chupeta, geralmente dentistas e ortodontistas. O que cabe a nós é orientar os pais quanto aos critérios de escolha e às vantagens e desvantagens de seu uso.
Vejamos: é importante que o material da chupeta seja adequado, com um formato que não prejudique a dentição (sugiro as ortodônticas da marca NUK, importada, e também a nacional KUKA), além de um tamanho condizente com a idade da criança. É também fundamental atentar para o tempo de uso diário e sua manutenção ao longo do crescimento, pois sabemos que uma chupeta usada além do necessário pode ser nociva.
Penso que a função deveria ser sempre a de acalmar o bebê, enquanto ele precisa aprender a se organizar sozinho, sem recorrer à sua mãe. Bons momentos para se oferecer a chupeta são aqueles em que ele necessita se recolher nele mesmo para adormecer ou quando precisa relaxar um pouco porque esteve em situações que, embora prazerosas, podem trazer desconforto e excitação. Por exemplo, depois da escola, de passeios ou visitas de familiares, inicialmente, crianças muito pequenas não conseguem se acalmar sem a presença de suas mães, porém, como algumas vezes elas podem não estar disponíveis, a chupeta pode ser um bom recurso.
Respeitado esses critérios, tudo tranquilo com este objeto que penso ser tão importante para o encontro mãe/bebê.

Vale a dica: atenção profissionais preocupados com os malefícios do uso da chupeta: mães e seus bebês ficariam muito felizes sabendo que serão respeitados em suas escolhas. A chupeta pode ser muito boa para o equilíbrio afetivo da dupla, necessário para o desenvolvimento saudável da criança. E como na vida tudo passa, a necessidade e a importância da chupeta também passarão... Acaso alguém já viu um adolescente de chupeta?

Por Eloísa Lacerda, fonoaudióloga clínica, Mestre em Distúrbios da Comunicação pela PUC-SP e especialista em Tratamento Neuroevolutivo dentro do Conceito Bobath; Psicanalista membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae de SP, Coordenadora do Serviço de Acolhimento Relação Mãe/Bebê da Derdic/PUC-Sp e do curso de especialização “Clínica Interdisciplinar com o Bebê – a saúde física e psíquica na primeira infância” da Cogeae/PUC-SP (de 2003 a 2009).


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